terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Chomsky, muito além de lingüista, é um inquieto “reclamador” das questões sociais, políticas, econômicas. E o faz de modo indissociado, como são os contextos. Propala o desenvolvimento da organização e da autonomia das camadas marginalizadas ou manipuladas dos sistemas sociais, numa proposição humanista pós-estruturalismo. Suas idéias contra a sociedade de massa, a manipulação dos sistemas de comunicação, assim como seu enfoque sobre as relações de poder vão contornando e conformando suas análises. Falando em análise, algumas considerações interessantes de Chomsky* sobre a “exclusividade” do saber analítico dos pensadores e acadêmicos:

“Para analisar as ideologias, basta um pouco de abertura de espírito, de inteligência e um cinismo saudável. Todo o mundo é capaz de fazê-lo. Temos de recusar que só os intelectuais dotados de uma formação especial são capazes de trabalho analítico. Na realidade, isso é o que alguns nos querem fazer crer...”.

Outra questão, e que interessa aqui por ser precípua à educação, em especial à modalidade a distância (ainda que o texto seja anterior ao boom da EAD), diz respeito à autonomia, à ação do indivíduo aprendente no seu processo de crescimento cognitivo - sua busca incessante de apreensão da realidade, do seu contexto social, da cultural, das relações econômicas. De novo o autor estadunidense:

“[...] e principalmente “uma política de comunicações democrática, que deveria tentar desenvolver meios de expressão e interação que reflitam os interesses e as preocupações da população em geral, fomentem sua auto-educação e sua ação individual e coletiva.” (grifo meu)

Ao apontar o pseudoconfinamento do conhecimento nos currais da academia e da ciência, o pensador sabe que isso é apenas uma figura de retórica. E a desvela apontando a inapreensibilidade do saber, que está muito além do conhecimento acumulado, mas que se deve antes e acima à potencialização das capacidades analítico-reflexivas. E esclarece que não há pré-condição ou requisito para desenvolver-se intelectualmente e, afinal, situar-se de modo paritário na gestão das políticas sociais, interpessoais.

* CHOMSKY, Noam. In: SILVA, Jorge. Noam chomsky e as ilusões necessárias. Texto publicado no Anexo Cultural do jornal A Notícia (Joinville/SC), 1 de maio de 1996. http://www.igutenberg.org/jorge.html

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