O Trabalho do Professor e as Novas Tecnologias
O texto de Eliane Schlemmer, publicado na revista Textual de setembro
http://www.sinprors.org.br/textual/set06/artigo_tecnologia.pdf, apresenta de cara a transcrição de um texto em internetês. Creio que o faz mais para desafiar posições, que no geral tendem a enquadrá-lo no elenco das noções reativas – nossa posição epistemológica é checada no primeiro impacto – que para sua decodificação.
A passagem da Era Analógica para a Digital, da “geração do não mexe que estraga” para a do “mexe pra ver como funciona” pressupõe, segundo a autora, outro modo de estar no mundo, de conviver com as tecnologias – e cita Castells, a respeito do conceito de “cultura da virtualidade real”.
Denomina-nos, os contemporâneos dessa passagem de eras, de “imigrantes digitais” (autodenunciados pelo forte sotaque analógico); os nascidos sob esse novo marco, de “nativos digitais”.
As vantagens do novo tempo, com as Tecnologias Digitais (TDs), seriam as trocas, o compartilhar conhecimentos, idéias, experiências, o desenvolver projetos.
Perguntas interessantes depreendidas do artigo:
Qual o nosso espaço nesse mundo tecnológico?
Como compreendemos os TDs no contexto da nossa prática pedagógica?
Por que o aluno copia trabalhos da Internet?
(Sobre isso, não seria melhor perguntar:) Qual o objetivo desse trabalho? De que forma contribui para a aprendizagem?
Será que um trabalho cujo conteúdo possa ser literalmente copiado da Internet pode ser considerado um trabalho que mobiliza o sujeito a pensar, a refletir sobre a informação, a articular as diferentes áreas do saber, a estabelecer relações para poder desenvolvê-lo?
Ou será que é um trabalho que prioriza somente a informação?
Aponta o fato de a informação estar em quantidade na web, mas o conhecimento não; este depende do sujeito, das relações que estabelece entre o que conhece, a nova informação e a problemática que precisa ser solucionada.
As TDs devem estar a serviço da autonomia, da autoridade, da cooperação, do respeito mútuo, da solidariedade interna, em suma, o que se entende por competências. A isso somam-se: o entender o que aprendemos, o refletir sobre o próprio processo de aprender (metacognição) – procedimentos de motivo interno, ainda que seja uma construção compartilhada.
Há um rompimento dos paradigmas de Tempo, Espaço, Presença, DISTÂNCIA, Interação, Informação, Conhecimento. Tem-se de estabelecer um novo código de relações (HETERARQUIA): em que o complementar e o antagônico coexistam.
Afirma ainda que
“a formação docente precisa ser repensada em função das novas relações que emergem de recentes paradigmas da cultura tecnológica”.
Por fim, sugere que se evite um “gap”, um abismo entre os Analógicos (e a escola no geral conserva-se por aqui) e os Digitais, num tempo que se “estica”, multissíncrono.
O artigo é um bom provocador de discussões, ainda que apresente uma série de tópicos sem aprofundá-los – seu propósito é mais o de despertador que o de escafandrista, mesmo. De qualquer modo, sua virtude está na tematização da mudança de paradigma, apontando para um furo que é bem mais embaixo. Pressupõe novas formas de construção do pensamento, do sentir e do agir. Do construir, do dividir, do ser. Teremos de inventar novos shakespeares para dar conta disso?? Novos hamlets??
(Pro)Ponhamo-nos a pensar. E a agir!