sábado, 27 de outubro de 2007

Esvazia-se o sentido da escola. De tão ausente do universo dinâmico que tece a fábula da existência, ela não soube se reconstituir, ainda. Certo que necessária, uma vez que pelo mínimo se substrai dela reconhecimento.
O gerenciamento contínuo que nos demanda o conhecimento e a presenvação de valores e conceitos de coexistência; o saber para fazer melhor, para resolver o que for, para sobreviver.





sábado, 13 de outubro de 2007

O Trabalho do Professor e as Novas tecnologias _ Artigo da revista Textual /set (do Sinprors)

O Trabalho do Professor e as Novas Tecnologias

O texto de Eliane Schlemmer, publicado na revista Textual de setembro http://www.sinprors.org.br/textual/set06/artigo_tecnologia.pdf, apresenta de cara a transcrição de um texto em internetês. Creio que o faz mais para desafiar posições, que no geral tendem a enquadrá-lo no elenco das noções reativas – nossa posição epistemológica é checada no primeiro impacto – que para sua decodificação.

A passagem da Era Analógica para a Digital, da “geração do não mexe que estraga” para a do “mexe pra ver como funciona” pressupõe, segundo a autora, outro modo de estar no mundo, de conviver com as tecnologias – e cita Castells, a respeito do conceito de “cultura da virtualidade real”.

Denomina-nos, os contemporâneos dessa passagem de eras, de “imigrantes digitais” (autodenunciados pelo forte sotaque analógico); os nascidos sob esse novo marco, de “nativos digitais”.

As vantagens do novo tempo, com as Tecnologias Digitais (TDs), seriam as trocas, o compartilhar conhecimentos, idéias, experiências, o desenvolver projetos.

Perguntas interessantes depreendidas do artigo:

Qual o nosso espaço nesse mundo tecnológico?
Como compreendemos os TDs no contexto da nossa prática pedagógica?
Por que o aluno copia trabalhos da Internet?
(Sobre isso, não seria melhor perguntar:) Qual o objetivo desse trabalho? De que forma contribui para a aprendizagem?
Será que um trabalho cujo conteúdo possa ser literalmente copiado da Internet pode ser considerado um trabalho que mobiliza o sujeito a pensar, a refletir sobre a informação, a articular as diferentes áreas do saber, a estabelecer relações para poder desenvolvê-lo?
Ou será que é um trabalho que prioriza somente a informação?

Aponta o fato de a informação estar em quantidade na web, mas o conhecimento não; este depende do sujeito, das relações que estabelece entre o que conhece, a nova informação e a problemática que precisa ser solucionada.

As TDs devem estar a serviço da autonomia, da autoridade, da cooperação, do respeito mútuo, da solidariedade interna, em suma, o que se entende por competências. A isso somam-se: o entender o que aprendemos, o refletir sobre o próprio processo de aprender (metacognição) – procedimentos de motivo interno, ainda que seja uma construção compartilhada.

Há um rompimento dos paradigmas de Tempo, Espaço, Presença, DISTÂNCIA, Interação, Informação, Conhecimento. Tem-se de estabelecer um novo código de relações (HETERARQUIA): em que o complementar e o antagônico coexistam.

Afirma ainda que

“a formação docente precisa ser repensada em função das novas relações que emergem de recentes paradigmas da cultura tecnológica”.

Por fim, sugere que se evite um “gap”, um abismo entre os Analógicos (e a escola no geral conserva-se por aqui) e os Digitais, num tempo que se “estica”, multissíncrono.

O artigo é um bom provocador de discussões, ainda que apresente uma série de tópicos sem aprofundá-los – seu propósito é mais o de despertador que o de escafandrista, mesmo. De qualquer modo, sua virtude está na tematização da mudança de paradigma, apontando para um furo que é bem mais embaixo. Pressupõe novas formas de construção do pensamento, do sentir e do agir. Do construir, do dividir, do ser. Teremos de inventar novos shakespeares para dar conta disso?? Novos hamlets??

(Pro)Ponhamo-nos a pensar. E a agir!
Este link PORTA CURTAS é para o acesso a filmes curta-metragens brasileiros e à programação de eventos de cinema por aí.
artigo da revista Textual O trabalho do professor e as novas tecnologias

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Tomemos a cena em que o mais idoso dos jurados, o número 9, coloca em dúvida o depoimento da testemunha identificada como “o velho que morava no apartamento de baixo, que ouviu o rapaz jurar de morte o pai e viu o criminoso sair correndo”. Este jurado, que também enfrenta dificuldade de expressar-se devido à falta de respeito de alguns jurados, argumenta pela impropriedade do depoimento, uma vez que a testemunha demonstrava claramente necessidade de ser ouvido, de ocupar um lugar de relevância no ambiente social, de poder ter voz – essa fala do jurado vai evidenciando, em auto-análise, a sua própria condição: “Senhores, é uma coisa triste não ter expressão alguma”. Daí a evidência de cada jurado estar falando, quando não de si mesmo, do seu lugar social – e não do lugar do réu, como deveriam. Parece-me que as evidências se aproximam da possibilidade (ou verdade) quando consideradas conforme a posição do outro, quando sabemos nos colocar no lugar social do outro. Nem todos os jurados aceitam o que esse jurado aponta, e permanecem tomando o velho por incapaz. A relação entre as personalidades confinadas, debilitadas pelo calor que antecede a chuva purificadora, vai revelando diferenças. Com elas, a transposição do universo particular para a leitura dos fatos, reforçando a idéia de que não há verdades, mas interpretações. As evidências, especulações, integralizam-se nas argumentações – que no caso servem para reiterar o status quo, a segregação. Entendo que evidências podem consolidar (hipó)teses, mas tais elementos necessitam de uma construção a partir de reflexões, preferencialmente as que consideram situações e condições variadas. E uma descrição minuciosa dos fatos, o que se denomina ‘écfrase’, tem de obrigatoriamente ser realizada. É, pois, nessa dialética de ponderações que se chega o mais próximo da verdadeira natureza dos fatos.